QUAL A MELHOR AERONAVE PARA INSTRUÇÃO PRIMÁRIA

quarta-feira, 24 de abril de 2013

TEXTO - VOAR NÃO É SOMENTE PARA OS PÁSSAROS - CAROLINE MARTINS


Amigos, segue abaixo um texto escrito por Caroline Martins, futura aviadora e que descreve bem o que todos nós sentimos. Boa leitura!

"...Esta foi a melhor forma que eu encontrei para descrevê-los. Vocês, pilotos são simplesmente incríveis. São pessoas comuns, mas que possuem algo precioso, um dom, o Dom de Voar por este céu lindo e imenso. Não encaro isso como uma profissão, não se trata do que você faz, se trata do que você é, nasce com você. 

Algumas pessoas jamais compreenderão o que nos faz voar, e amar incondicionalmente o que se faz. Vocês arriscam suas vidas, todos os dias, transportam pessoas, alegrias, sonhos.
Considero-os tão especiais, que para mim as melhores partes de um voo não são os lugares que estou indo conhecer ou visitar, e sim a alegria de visitar um cockpit de ver os tripulantes ali preparando tudo, fazendo o que amam tanto quanto eu, e que conseguiram através de tanto esforço. A alegria que eu sinto ao vê-los é dificil de explicar, a sensação de passar tardes no aeroporto acompanhando pousos e decolagens, ver esses tripulantes chegando e saindo, não se trata de pessoas comuns, quando os vejo, vejo sonhos, esforço, dedicação e amor, muito amor pelo que se faz. 
Vocês zelam pela segurança de milhares de pessoas desconhecidas como se fossem pessoas próximas, e não medem esforços para que tudo sempre ocorra bem. Vocês não são famosos, não são reconhecidos mundialmente, mas merecem todos os prêmios existentes nesse mundo.
Voar é especial! Eu sempre me emociono ao falar o que isso significa pra mim, não encaro jamais como uma profissão, e sim algo além, é algo que te faz feliz, que você faz e tem a certeza que nasceu pra isso, que não se imagina fazendo outro coisa. 
Aviação é muito especial pra minha vida, qualquer detalhe relacionado a ela, se torna especial pra mim e espero nunca perder isso. Voar Não é somente para os pássaros, é também para homens e mulheres especiais, que possuem esse dom maravilhoso, que lutam, se esforçam e estão sempre dispostos, madrugadas, voos noturnos, bate e volta, estão sempre ali e com um sorriso lindo no rosto, afinal eles voam. Fazem o que amam, o que mais poderia se querer? Escrevo isso com muito carinho a todos esses profissionais que eu tanto admiro. Respeitado aviador disse certa vez que os pilotos são uma classe à parte de humanos, e eu concordo!..."

Caroline Martins

sexta-feira, 12 de abril de 2013

AERONAVE TOMBA EM PISTA DE AEROPORTO DE SINOP-MT


Um avião de pequeno porte tombou ao tentar decolar no Aeroporto Municipal de Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá, nesta terça-feira (9). O piloto da aeronave e um passageiro, que é proprietário da aeronave ficaram feridos. Eles foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros. A aeronave caiu distante cerca de 700 metros da sala de embarque. As causas do acidente não foram divulgadas, mas a suspeita é de que havia problemas no trem de pouso, de acordo com o Corpo de Bombeiros.


A pista ficou interditada até o começo da tarde desta terça-feira. Conforme o Corpo de Bombeiros, o piloto se encontrava dentro da aeronave e sofreu ferimentos leves. “Não foi necessário levá-lo ao hospital, pois ele estava usando equipamentos de proteção’’, contou o tenente do Corpo de Bombeiros Leandro Alves. Ainda segundo Alves, não houve incêndio após o incidente.
Conforme o administrador do aeroporto, Liomar Costa, a pista foi liberada às 13h e o avião foi retirado da pista. “Agora, a aeronave será periciada pela Polícia Federal e pela Aeronáutica, que vai investigar as causas do acidente’’, informou. O avião era particular e fazia vôos internacionais.
FONTE: PORTAL G1

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O MESTRE - UMA LINDA E COMOVENTE HOMENAGEM AO ABNEGADO INSTRUTOR DE VOO


Seu Alaor caminhava lentamente pelo pátio do Aeroclube onde nos últimos quarenta anos dera instrução, tendo formado um incontável número de alunos, alguns já Comandantes aposentados da aviação comercial. Seus cabelos brancos e o rosto talhado por rugas denunciavam a dedicação e as infindáveis horas debaixo de sol a que o velho Alaor se expusera durante todo esse tempo.

O tempo vencia-lhe as feições, mas não conseguia fazer adormecer as asas da velha águia. Durante suas andanças, passava a mão em cada um dos três P-56 Paulistinha que compunham a "frota" do aeroclube. 

Todos contemporâneos de Seu Alaor, e pelos quais ele tinha um carinho especial como se fossem seus bichinhos de estimação. A cada pequeno acidente, Alaor fazia questão de ajudar a recuperar o avião pessoalmente. 

Aqueles aviões faziam parte de seu corpo.Ainda se remoía de amargura quando lhe vinha à lembrança o trágico acidente em que perdera um quarto avião e um aluno-solo. 

Numa manhã cinzenta, sem que estivesse presente no Aeroclube para "l
iberar o voo", como costumeiramente fazia, o aluno foi autorizado, por uma secretária, a decolar, a fim de realizar manobras altas a alguns quilômetros dali.A entrada de uma frente fria fez com que as prometidas chuvas desabassem sobre toda a região, e o aluno viu-se cercado por pesados cumulonimbus.

Na tentativa de regressar ao campo, "guardou" seu voo num desses gigantes, sucumbindo nas fortes correntes descendentes, que o jogaram ao chão como se fosse um brinquedo. No íntimo Alaor ainda se culpava por não estar no Aeroclube naquele dia. Daí em diante, ninguém - a não ser ele, teria a competência para liberar vôos de alunos.Devido à falta de checadores, o antigo DAC havia conferido a Alaor o título de Checador.

Título esse, que ele honrava realizando vôos de exame rigidamente conduzidos dentro dos padrões da legislação. Dessa forma, não só dava instrução como examinava a performance de seus alunos, conferindo-lhes a licença de Piloto Privado.

Um de seus alunos, já em fase de "check", era Júlio - um jovem de 19 anos, a quem Alaor enxergava como alguém que teria um futuro brilhante na aviação, dada a habilidade com que o jovem manobrava o avião.

O rapaz havia nascido pra voar, pensava Alaor.Já tendo completado as quarenta horas de voo, Julio havia preparado tudo para seu voo de check, que Alaor marcara para a manhã seguinte.

Na hora combinada, lá estava o jovem, prostrado junto ao avião, enquanto Alaor fazia sua ronda costumeira pelo pátio. Alaor aproxima-se do jovem e pergunta:
- Então, Júlio, tudo pronto?
- Tudo pronto Seu Alaor!
- Fez a inspeção externa?
- Fiz sim senhor!
- O Henrique (mecânico do Aeroclube) me disse que uma das velas desse avião não está boa. O motor está ''pipocando'' na partida e também quando avançamos mais rápido a manete de potência. Mas dá pra voar assim mesmo. Vamos?
- Vamos! disse o jovem, já dirigindo-se para o interior do avião.
Enquanto Júlio se amarrava com o cinto de segurança, Alaor pediu licença dizendo que iria até o hangar assinar alguns papéis. Após uma hora de espera, o rapaz desiste de ficar sentado no avião e vai à procura de Alaor. Mas o velho instrutor não estava no Aeroclube.

O dia passa sem que ele apareça. No dia seguinte Júlio volta ao Aeroclube e encontra Alaor junto ao mecânico, ajudando-lhe a trocar peças do trem de pouso de uma aeronave de terceiros.

O aluno acha mais prudente não comentar o acontecido, mas mesmo assim Alaor se desculpa, dizendo que teve que sair sem avisar, pois um tinha um problema urgente para resolver. Júlio, ainda que não muito convencido, ouve as desculpas. Alaor então manda que o rapaz vá preparar o avião.

Chegando perto do velho Paulistinha que seria usado no check, Alaor encontra seu pupilo fazendo a inspeção externa na "máquina". Pergunta-lhe:
- Julio, está tudo pronto?

- Está sim, Seu Alaor! Tudo prontinho! 


- Ok, então vamos lá! O vento está de través e demasiadamente forte para esse tipo de avião, mas nós dois sabemos que o avião segura bem nessas condições, não é isso?

 
- É sim senhor, Seu Alaor!

- Então lá vamos nós! Só vou ali fazer um xixi e volto já.
Novamente algo havia acontecido. 
Alaor não voltara ao avião e por mais que Júlio o procurasse, nada de encontrar o velho. Não era feitio de Alaor fazer esse tipo de coisa. Algo realmente teria ocorrido. O dia se foi sem que, mais uma vez, o aluno fizesse seu voo de check.O dia seguinte amanheceu chuvoso.

Alaor chegou bem cedo ao Aeroclube, e antes mesmo que os aviões tivessem sido tirados do hangar, lá estava Júlio sentado na roda do Paulistinha. Sem maiores explicações, o instrutor (notando a cara de contrariado do aluno) mandou que o ajudasse a empurrar o avião pra fora. A chuva apertava paulatinamente.Júlio num salto disse:

- Seu Alaor, eu não vou! Como é que o senhor quer voar com uma chuva dessas? O senhor pode até não gostar do que vou dizer, mas me deixou esperando que nem um bobo nos dois últimos dias. Agora que está chovendo quer voar?
Alaor abriu seu costumeiro sorriso:
- Filho, nos últimos dois dias você estava sendo checado. Eu não preciso voar com você pra saber do que você é capaz. Afinal, tudo o que você sabe, eu lhe ensinei.
Nos dois últimos dias você havia sido reprovado no check, mas hoje está aprovado.

Júlio fez uma cara de espanto e pediu explicações ao velho Mestre.
 
- Filho, você lembra no primeiro dia, quando falei-lhe da vela do avião?Júlio balança a cabeça afirmativamente e Alaor continua- Pois é, Júlio, seu check havia começado e terminado ali.
Mesmo sabendo que o avião estava com um problema técnico, você se dispôs a voar. Um piloto jamais confia no que o mecânico ou outro piloto diz, sem que verifique com seus próprios olhos aquilo que está sendo dito.

- E ontem seu Alaor? O avião não estava mais com esse problema!
 
 - Ontem, Júlio, eu falei que o vento estava demasiadamente forte para o avião, mas que o ''avião'' não teria problemas com isso.
Em nenhum momento você disse que "você" teria ou não dificuldades com aquele vento, mesmo sabendo que sua experiência ainda não é suficiente para enfrentar determinadas situações. Seu check estava acabado ali.

 A paciência e a análise são as maiores virtudes de um Piloto. Pilotar um avião, qualquer um pode aprender.
Como você poderia ostentar uma licença de piloto, se suas atitudes não correspondiam à altura do comprometimento que se espera de um Piloto?

Júlio baixou a cabeça, sabendo que a maior e melhor instrução estava lhe sendo dada naquele momento.

E Alaor completa:- Mas hoje foi diferente. Diante da chuva você não se intimidou em me dizer um sonoro "não". Percebeu sua real condição em relação ao voo, não expondo nenhum de nós dois ao perigo. E é isso que eu espero de você como Piloto. Você tem futuro, filho. Suas habilidades são surpreendentes, mas devem vir acompanhadas de sensatez e equilíbrio. E isso você só demonstra quando se propõe a pensar na aviação não como um fim, mas sempre como um princípio.
A cada dia você vai aprender coisas novas, para as quais poderá estar ou não preparado. Encarar a todas essas coisas é como colocar uma venda nos olhos e dar passos sem saber se o que há na frente é um abismo. Antes de fazer um voo analise o meio em que está.
Analise a máquina que vai conduzir e por fim, analise as suas limitações como homem. Só assim você terá a certeza de que o próximo passo nada mais será do que o antecessor de outros maiores. Alaor deu um grande abraço em Júlio, dizendo:


- Parabéns Comandante! Você passou no check. Já havia assinado a sua licença provisória, mas só agora tenho a certeza de poder entregá-la a você.
Passaram-se quinze anos.
À porta do jato comercial, aguardando o embarque ,está Júlio, vestido num impecável uniforme de Comandante.
As quatro faixas douradas reluziam em cada um dos punhos do jaquetão azul. O embarque é autorizado, e agora o Comandante Júlio vê aproximar-se do avião o funcionário trazendo um ancião numa cadeira de rodas. A vida lhe reservara, como presente, uma das maiores e melhores coincidências que poderia protagonizar. 


Júlio desce rapidamente as escadas e manda que o funcionário se afaste. Delicadamente retira o idoso da cadeira de rodas, beija-lhe a testa e, carregando-o no colo, sobe as escadas do avião cercando-o de cuidados. Vendo o esforço do Comandante, o funcionário tenta intervir:

- Comandante, o senhor não precisa fazer isso...Júlio replica:
- Preciso sim. Um dia ele também fez isso comigo.
O velho era Alaor - o Mestre a quem Júlio era eternamente grato pela maior lição que recebera na aviação.

MARIO QUARANTA