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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Faltam pilotos no mundo. Companhias Aéreas Regionais dos EUA já reduzem exigências.

Uma escassez mundial de pilotos está deixando aviadores menos experientes no comando de jatos de passageiros e até obrigando companhias aéreas a cancelar vôos por falta de tripulação. Nos EUA, a escassez de pilotos é sentida principalmente por empresas aéreas regionais - que usam aviões de menos de cem assentos para transportar passageiros até grandes aeroportos, de onde se podem voar distâncias maiores. A maioria das empresas aéreas regionais reduziu suas exigências de nível de experiência para os novos contratados, e algumas têm dificuldades para encontrar pilotos com o número suficiente de horas para trabalharem como comandantes. Os pilotos ainda têm de passar por testes em cada companhia aérea e alcançar padrões de desempenho, mas alguns especialistas em aviação temem que pilotos menos experientes possam não ter desempenho tão bom em emergências ou possam ser mais propensos a erros. "Não há substituto para a experiência, particularmente numa cabine de avião", diz Jim Hall, ex-diretor do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, do governo americano.
Vários anos atrás, as empresas aéreas regionais dos Estados Unidos exigiam que os candidatos tivessem 1.500 horas de tempo total de vôo, sendo 500 em aviões multimotores - um nível a que geralmente se chega depois de vários anos de trabalho como instrutor de vôo, piloto de avião de carga ou piloto de jatinho executivo. Mas agora algumas reduziram isso para em torno de 500 horas, com no mínimo 50 em aviões multimotores, de acordo com Kit Darby, presidente da Aviation Information Resources, Inc., uma empresa de colocação de pilotos de Atlanta.
As grandes companhias aéreas ainda podem exigir vários milhares de horas de experiência para os candidatos a assumir o controle de um jato da Boeing ou da Airbus, e não enfrentam escassez de candidatos. Mas Darby acha que as companhias regionais serão obrigadas a reduzir para o mínimo exigido pela Administração Federal de Aviação (FAA, a agência americana da aviação civil) - 250 horas para conseguir uma brevê comercial. E as empresas aéreas maiores ao final sentirão o aperto.
Preocupado com a escassez de pilotos, o Congresso americano aprovou uma lei na semana passada que eleva a idade máxima para aposentadoria compulsória para os pilotos de empresas aéreas de carreira de 60 para 65 anos, e o presidente George W. Bush sancionou a lei na sexta-feira. Isso deve pelo menos temporariamente reduzir o número de pilotos que as grandes companhias aéreas tiram das empresas menores, mas Darby diz que a mudança não vai eliminar a escassez. Ele estima um ganho líquido de aproximadamente 1.500 pilotos no primeiro ano a partir da elevação da idade da aposentadoria, enquanto cerca de 13.000 pilotos foram contratados este ano.
Os EUA podem ao final ter de adotar novos modelos de treinamento para pilotos, mais rápidos, diz Darby, e as empresas aéreas podem ter que começar a pagar o treinamento dos pilotos e elevar os salários iniciais, atualmente a partir de US$ 24.000 por ano. Ter co-pilotos menos experientes em jatos de passageiros, às vezes com comandantes recém-formados (as regras da FAA exigem que um comandante tenha pelo menos 1.500 horas de vôo - o que em geral equivale a menos de dois anos de experiência de aviação), suscita questões de segurança entre alguns especialistas em aviação.
Sindicatos e outras instituições questionam se os programas de treinamento das companhias aéreas são adequados para os contratados com menos experiência, por exemplo, e se os programas de treinamento acelerado que estão sendo lançados pelo mundo afora vão gerar pilotos seguros e habilidosos. "Temos uma nova geração de riscos que estão emergindo, entre eles a escassez de pilotos", disse Hall, atualmente um consultor em Washington. "Precisamos estar muito preocupados quanto à experiência de indivíduos que estamos colocando nas cabines."
Um velho ditado entre os pilotos diz que o emprego oferece horas de monotonia pontuadas por momentos de puro terror. A vasta maioria dos vôos acontece de maneira normal e rotineira - sem falhas mecânicas, sem decisões difíceis a serem tomadas por causa de tempo ruim ou outras anomalias. Mas é nas situações de emergência que a experiência pode contar.
As companhias aéreas dizem que o treinamento de novos pilotos melhorou graças ao avanço da tecnologia, desde simuladores de cabine mais avançados até escolas em terra baseadas em computadores, e que os pilotos das empresas regionais da atualidade são tão seguros, se não mais, que as gerações anteriores. Os jatos modernos também estão cheios de melhoramentos de segurança, o que torna as emergências mais fáceis de lidar. As companhias aéreas também apontam para programas de treinamento militar que fazem os pilotos aterrissar jatos de alto desempenho em porta-aviões no período de um ano e 200 a 300 horas de vôo."A idéia de que você precisa de X horas de vôo num Cessna 172 para ascender no ambiente atual, com a tecnologia e as ferramentas atuais, é errada", diz Roger Cohen, presidente da Associação das Empresas Aéreas Regionais, que representa as empresas aéreas menores. "Alguém com menos horas, mas horas de melhor qualidade, num treinamento moderno, pode ser mais capaz."
FONTE: PORTAL PILOTO COMERCIAL (www.pilotocomercial.com.br)

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